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o negócio é o seguinte. acho CA-FO-NA passar mal na balada. primeiro porque pressupõe-se que você encheu a lata de álcool e passar mal de beber é muito colegial pra qualquer um de nós. segundo porque, MANTER A CLASSE sendo carregada de braços abertos, babando e os peitos pulando do decote, veja bem, é uma missão quase impossível.

como eu tenho algum bom senso e evito dar pitacos em coisas pelas quais não passei, achei que esse final de semana seria uma ótima oportunidade de colocar em prática a minha teoria sobre PASSAR MAL COM ELEGÂNCIA. é um pouco frustrante dizer que não havia álcool envolvido, apenas um ambiente abafado, uma injeção na bunda momentos antes e febre nos dias anteriores. 

enfim, o importante é que em nome da verdade, eu fui capaz de provar empiricamente que sim, é possível dar bafão de forma elegante, incomodando o mínimo de gente possível e saindo à francesa:

step 1) você começa a ouvir as coisas todas embaralhadas. os agudos somem e os graves sobressaem. o que você faz? pede à sua companheira de aventuras que PAGUE A COMANDA porque você PRECISA DE AR. não espere demais. esse é um daqueles momentos cruciais que, se desperdiçados, serão relembrados e lamentados à exaustão. nessas horas, TIMING é tudo. como a coisa toda começa DO NADA, a sua companhia vai até o caixa, ainda DESCRENTE de que você possa PIORAR. quando ela, do caixa, olha pra você, fica claro que HOUSTON, WE HAVE A PROBLEM. afinal de contas, você pode estar infartando, convulsionando, perdendo os sentidos, mas SEMPRE vai lembrar de arrumar o cabelo e ajeitar os peitos para que, numa possível queda, eles não venham à tona. quando a companheira de aventuras vê você fazer isso com os olhos vidrados NO NADA e o rosto BRANCO, apesar de todo o blush que as suas bochechas foram capazes de suportar, aciona-se o alarme e ela admite que, ok, as coisas não estão bem.

step 2) agora, além do barulho, você NÃO VÊ NADA. não é uma névoa à sua frente, não são pessoas duplas ou triplas. não. a escuridão tomou conta da sua vida e tudo o que você pode fazer é segurar na mão de quem estiver mais próximo e pedir ME LEVA ATÉ A SAÍDA PELAMORDEDEUS. como você não vê NADA e o caminho do bar até a porta é relativamente longo, dada as condições de pressão e temperatura, nada mais resta do que seguir em frente e manter o rebolado. tateando, suando e sorrindo, that’s the biggest rule.

step 3) já em segurança, certifique-se de que há uma cadeira à sua disposição, ar fresco e alguém de muito bom senso segurando o seu rosto que teima em tombar. sendo assim, faça o que deve ser feito e DESMAIE. afinal de contas, você está de olhos abertos, sorrindo, suando, com os peitos dentro da blusa e alguém te mantendo ereta. relaxe e desfrute desse momento de paz.

step 4) dez segundos depois volte à vida, cruze elegantemente as pernas, beba uma água e despeça-se como nada-tivesse-acontecido.

e acredite, amiga dona de casa, é possível sair dessa sem maiores estragos.

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